George Iso
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O Pulsar da Cor
Lígia Canongia
Paisagens Abstratas
Wilson Coutinho
 
 

Os trabalhos recentes de George Iso, geralmente denominados Paisagens Abstratas, têm como limite a pintura e o quadro, isto é, a superfície. Se a auto-consciência crítica dela - para usar um vocabulário do americano Clement Greenberg - começa pelas últimas telas de Monet, pode-se dizer que os óleos de Iso, nessa sua atual fase, são como retornos às possibilidades poéticas dessa extensão, em peças pequenas e em grandes dimensões, não excluindo a pertinência de sua técnica e do seu fazer. Aqui o método é quase lúdico. O pintor reconhece o limite do seu espaço, para refazê-lo mutável, correndo o risco do desabrigo, que se abre hoje para o vazio da tela. Esse abismo, como um ponto vago, incerto e denso pela História, é preenchido quase como um temor pelo nada. Mas o pintor ultrapassa seu risco ao começar a preenchê-lo com camadas sobre camadas, buscando as pequenas cintilações desse vazio. E uma pintura de brilhos dispersos acaba nascendo. Isso não significa que a obra de Iso seja apenas perícia ou, então, congelada pela subjetividades de um estado de espírito. Ela está aberta ao mundo das coisas, da percepção organizada sobre o horizonte do mundo. Daí, seu rom que busca, fenomenologicamente, o estar-no-mundo. Suas "paisagens" são fluxos do real captados pelo gesto e feitos para produzir uma absorção desse mundo em fluência. São pequenas cristalizações, rudezas da terra ou campos de cor aquosos, prontos para o repouso de ninféias. A gestualidade, outrora mais busca, parece dissolvida em maior intensidade, pesquisa de uma quietude física, um "cuidar" das coisas. A paleta do pintor, com tons rosáceos, esverdeados, azuis, às vezes com pequenos toques de negros, realçando certas formações como cristais, é de uma leveza quase efêmera, prestes a desmanchar-se diante da ação de ver o mundo. Assim são naturezas, "paisagens", frações perceptivas de estar-no-mundo. Usando o óleo em camadas, Iso cria no plano uma gama variada de veladuras e transparências fluidas, como se o artista, imerso na física original do mundo, ousasse ver, como se fosse pela primeira vez, o berço de todas as coisas nascentes.

 
      Abstract Landscapes  
 

George Iso's most recent works, collectively titled Abstract Landscapes, have as their limit painting itself, the picture - that is, the surface. If its critical self-consciousness - to use Clement Greenberg's term - begins with Monet's late canvases, one may say that Iso's oils, in his present phase, are like revivals of the poetical possibilities of this extension, in pieces small and large, which display his technique and his craftsmanship. His methos is almost playful. The painter, aware of the limit of his space, constantly remakes it, risking the forlornness that threatens the blank canvas today. This abyss, like a vague, uncertain and dense point in history, is filled, one might almost say, with the fear of nothingness. But the danger is overcome as the painter covers the blank space with a succession of layers, searching for faint scintillations in this void. And in this way a painting made up of scattered giants is born. This, however, is not to say that Iso's work consists in nothing more than skill, or that it is frozen by the subjectivity of a mood. Rather, it is open to the world of things, to a perception organized on the basis of the perspective of the world. Hence its tone, which is that of a phenomenological search for being-in-the-world. His "landscapes" are fluxes of the real captured by a gesture and made to generate an absorption of this flowing world. They are small crystallizations, patches of the Earth's roughness, or fields of watery color ready to take in some restful water lillies. His gestures, somewhat harsh in the past, now seem dissolved in a greater intensity, a search for physical quietude, a caring attitude in relation to things. Iso's palette, with its shades of pink, green and blue, sometimes tinged with black, underscoring certain crystal-like formations, is of almost ephemeral lightness, about to dissipate as it confronts the world. Thus they are natures, "landscapes" perceptive fractions of being-in-the-world. Using oil in several layers, Iso creates on a flat surface a varied range of fluid scumble and transparency, as if the artist, immersed in the original physcis of the world, dared contemplate, as though for the first time, the cradle of all nascent things.

 
      Paysages Abstraits  
 

Les travaux récents de George Iso, généralement intitulés Paysages Abstraits, ont pour limite la peinture et le tableau, c'est-à-dire, la surface. Si son auto-conscience critique - pour reprendre le vocabulaire de l'Américain Clement Greenberg - commence avec les derniéres toiles de Monet, on peut dire que les huiles d'Iso, dans sa phase actuelle, sont comme des retours aux possibiliés poétiques de cette enxtension, en piéces de petite taille et en grandes dimensions, n'exclutant la pertinence ni de sa technique, ni de son savoir faire. Ici, la méthode est quasi ludique. Le peintre reconnaît la limite de son espace, pour le rendre mutable , courant le risque qui s'ouvre aujourd'hui au vide de la toile. Cet abîme, tel un point vague, incertain et dense d'Histoire, est rempli presque de crainte du rien. Mais le peintre va au-delà de son risque en commençant à le remplir, couche sur couche, en cherchant les petites scintillations de ce vide. Et une peinture faite d'éclats dispersés finit par voir le jour. Ceci ne signifie pas que l'oeuvre d'Iso ne reléve que de l'expertise, ou ne soit figée par la subjectivité d'un état d'esprit. Elle est ouverte au monde des noménologique, l'être-au-monde. Ses "paysages" sont des flux de réel captés par la geste et faits pour ou des champs aux couleurs aqueuses , prêts pour le respos de nymphes. La gestuelle, jadis plus brusque, semble dissoute dans une plus grande intensité, recherche d'une quiétude physique, d'un "souci" des choses. La palette du peintre, aux tons rosés, verd‚tres, parfois bleus, avec des petites touches de noir, qui rehaussent certaines formes, comme les cristaux, est d'une légéreté presque éphémére, prête à s'effacer devant l'action de voir le monde. Ainsi sont les natures, "paysages", fractions perceptibles d'être-au-monde. En utilisant l'huile par couches, Iso crée à plat une gamme variée de voilures et de transparences fluides, comme sil'artiste, immergé dans la physique originale du monde, osait voir, comme pour la premiére fois, le berceau de toutes les choses naissantes.